Ausência
Thairu Uhuru
_ Onde estavas
Quando gritei nas noites que te amava?
Busquei a tua presença
Nos lugares frios e úmidos,
Não há terra,
Não há vento,
Não há chuva,
E não há espaço,
Mas, há somente você,
Ocupando os lugares
Vazios dos meus pensamentos.
_ Onde estavas
Quando gritei nas noites que te amava?
Os dias passaram-se,
As noites passaram-se,
Até mesmo as horas,
Também se passaram,
E, não senti a tua presença.
O que desejo então?
Eu já tenho tudo,
Tudo o que se pode imaginar,
Tudo o que se pode sentir.
_ Onde estavas
Quando gritei aos ventos bravos que te amava?
Ao meu lado
Ficou a tristeza,
A saudade,
A paixão,
O amor...
... Até mesmo amor,
Eis o que não me falta,... Amor,
Loucura igual a minha é impossível,
Sentir a tua presença quando não estás perto...
_ Onde estavas
Quando procurei o alívio do teu acalanto?
Refaço meus pensamentos
Quando preciso de ti,
E, somente à noite recordo-me das tuas loucuras.
_ Está bem! ... Está bem!...
Não falemos mais nisso,
Esqueçamos o passado
Desde que me respondas...
_ Onde estavas
Quando gritei o teu nome ao mar?
... Já faz tempo... Ah, o tempo...
Te lembras...
... Te lembras do tempo?
Te lembras ?...
... Quando busquei a tua presença
Escondida nos cantos do mundo...
Nos lugares inóspitos,
Nas noites
De nossos desejos...
... Te lembras?
Estavas do lado de fora da minha vida...
... Te lembras?
_ Por isso não te vi
Quando gritei aos ecos pelo teu nome.
... Esqueci apenas o jeito
O qual me beijava,
Preciso lembrar-me disso também,
É a falta de costume...
... Sinto muito... Tentei...
Mas, se sentir esse amor,
É ato tão sublime,
Vamos nos embriagar
Nessa taça curtida.
_ Até que amanheça
Não gritarei pelo teu nome,
Pois, agora estás comigo,
E preciso de ti...
Não! ... Não me agrada forçar a esse amor
Inútil,
Fútil e sagaz,
Impreciso e indeciso,
Apenas eu vejo,
Eu sinto,
Eu amo, apenas.
_ Porque estamos aqui, a sós,
E se é tudo feito sob medida,
Onde estás agora,
Onde estás que não me ouves
Dizer que te amo, onde?
Ao longe quando viajas no tempo
Das minhas lembranças,
Estou mais uma vez a tua espera
Sentado junto à orla
De lombadas ao meu redor,
Encharcando-me
Do sal nocivo
De tua eterna ausência.
_ Até que chegue
Os dias de terça-feira
Às quatro da tarde,
Quando volto ao passado,
Ao encontro das origens
De um primeiro, único e verdadeiro amor.
Ah, quanto tempo! ...
E eu me lembro
Da tua fuga inesperada.
_ Onde estavas
Quando gritei nas noites que te amava...
... Onde estavas?
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