O barquinho de papel
Por: Thairu Uhuru
Pedrinho sonha debruçado à janela,
A chuva desce junto aos sonhos de infância,
Trazendo nos pingos o odor da flagrância,
E um barquinho no córrego da viela.
Não pára, pois não tem porto para atracar,
Sem marinheiro a comandar esse timão,
Segue o barco, rua abaixo sem capitão,
Até onde o vento puder, enfim, levar.
Viaja sem dono nessa rua estreita,
Brinca sob o sol e brinca sob a chuva...
Sol e chuva casamento de viúva,
Mas passe bem longe da neblina à espreita.
Sem um curso náutico que possa traçar,
Vai o barco em direção a um bueiro,
Feito valente a lutar como guerreiro,
Sob a chuva e o leve vento a lhe impulsionar.
Esse barquinho não transporta sonhos vãos,
Sob o arco-íris, ninguém sonha vulgar,
Pedrinho, já passou da hora de jantar...
Entra menino e venha lavar suas mãos.
Deixa o barco seguir seu curso a brincar,
Sonhe os bons sonhos de qualquer viajante,
Torne-se desse barquinho um aspirante,
E revele-se ao mundo, um marujo no mar.