Arte no grafite

domingo, 20 de fevereiro de 2011


O barquinho de papel
Por: Thairu Uhuru



Pedrinho sonha debruçado à janela,
A chuva desce junto aos sonhos de infância,
Trazendo nos pingos o odor da flagrância,
E um barquinho no córrego da viela.

Não pára, pois não tem porto para atracar,
Sem marinheiro a comandar esse timão,
Segue o barco, rua abaixo sem capitão,
Até onde o vento puder, enfim, levar.

Viaja sem dono nessa rua estreita,
Brinca sob o sol e brinca sob a chuva...
Sol e chuva casamento de viúva,
Mas passe bem longe da neblina à espreita.

Sem um curso náutico que possa traçar,
Vai o barco em direção a um bueiro,
Feito valente a lutar como guerreiro,
Sob a chuva e o leve vento a lhe impulsionar.

Esse barquinho não transporta sonhos vãos,
Sob o arco-íris, ninguém sonha vulgar,
Pedrinho, já passou da hora de jantar...
Entra menino e venha lavar suas mãos.

Deixa o barco seguir seu curso a brincar,
Sonhe os bons sonhos de qualquer viajante,
Torne-se desse barquinho um aspirante,
E revele-se ao mundo, um marujo no mar.

À sombra da mangueira
Thairu Uhuru




Na grama abaixo da sombra da mangueira,
Um banco velho, com as marcas da paixão
De amores, que com o tempo passado, estão
Ainda ali registrados na madeira.

Ele traz tantas histórias de carinho,
Secretas de sussurros e tantos beijos,
Que mesmo abaixo de chuva e relampejos,
O velho banco jamais fica sozinho.

O tempo de sua existência não conta...
Por tantos planos ardentes esculpidos,
Abraços apertados de ponta-a-ponta,

De olhares amantes, formando partidos,
É como um quebra-cabeça que se monta
Nele, os amores estão sempre mantidos.